Salmo 121

Oito versículos com forma de argumento: uma pergunta, uma resposta e seis retomadas de uma única palavra. Esta página mostra essa estrutura antes de explicá-la.

O salmo em uma frase

O Salmo 121 é um cântico curto sobre quem está fazendo a guarda. Matthew Henry o lê como dizendo que Deus assumiu a tarefa pessoalmente em vez de repassá-la, que ele nunca faz pausa, e que essa proteção cobre a vida inteira — trabalho e viagem, luz do dia e escuro, juventude e velhice — sem data de validade.

Movimento 1 · versículo 1

A pergunta

Salmo 121:1 · NVI Levanto os meus olhos para os montes e pergunto: “De onde me vem o socorro?”.

O salmo abre com um olhar e uma dúvida. Quem viaja a pé olha para o horizonte montanhoso e pergunta de onde virá o socorro — e a pergunta fica em pé por um versículo inteiro. A página dos montes examina esse verso de abertura.

Movimento 2 · versículo 2

A resposta

Salmo 121:2 · NVI O meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra.

A resposta não aponta para a paisagem: aponta para quem a fez. Tudo o que vem depois no salmo é consequência desse segundo versículo.

Movimento 3 · versículos 3–8

A guarda, repetida seis vezes

Salmo 121:3–8 · NVI Ele não permitirá que os seus pés tropecem; o seu protetor não cochilará. Certamente, o protetor de Israel não cochila nem dorme! O Senhor é o seu protetor; o Senhor é a sombra à sua direita. De dia o sol não o ferirá; nem a lua, de noite. O Senhor o protegerá de todo o mal, protegerá a sua vida. O Senhor protegerá a sua saída e a sua chegada, desde agora e para sempre.

Matthew Henry divide o Salmo 121 em duas partes, e é na segunda que as promessas se acumulam. O título que ele põe sobre os versículos 3 a 8 é Consolar-nos em Deus quando as nossas dificuldades e perigos são maiores — consolo dirigido ao pior caso, não ao caso comum. Em seguida ele enuncia a promessa com um cuidado incomum quanto aos limites dela: Promete-se aqui que, se pusermos a nossa confiança em Deus e nos mantivermos no caminho do nosso dever, estaremos seguros sob a sua proteção, de modo que nenhum mal real, nenhum mal que seja só mal, nos acontecerá, nem aflição alguma senão aquela que Deus vê ser boa para nós e pela qual nos fará bem. Vale ler essa frase duas vezes. Ela não promete uma vida sem aflição; promete uma vida sem dano sem propósito. E o fundamento disso, para Henry, não é a força de quem lê, mas a identidade de quem está de plantão.

O retrato completo do guardador está na página central do site.

O versículo 5 em quatro traduções

A palavra que o salmo repete é um verbo de guarda, e a linhagem Almeida a mantém com uma consistência que as versões contemporâneas distribuem de outro modo. O versículo 5 é onde a diferença aparece com mais nitidez:

Salmo 121:5 · NVI O Senhor é o seu protetor; o Senhor é a sombra à sua direita.
Salmo 121:5 · ARC O Senhor é quem te guarda; o Senhor é a tua sombra à tua direita.
Salmo 121:5 · ARA O Senhor é quem te guarda; o Senhor é a tua sombra à tua direita.
Salmo 121:5 · NAA O Senhor é quem guarda você; o Senhor é a sombra à sua direita.

Perguntas que os leitores fazem sobre o Salmo 121

O que o Salmo 121 promete?

Que a guarda é obra do próprio Deus, e não terceirizada. O primeiro ponto de Henry na seção das promessas é seco: o próprio Deus se encarregou de ser o nosso protetor, e a conclusão vem sem discussão — não podem senão estar bem guardados os que têm o Senhor por guardador. Depois ele acrescenta o adjetivo que faz o trabalho de verdade, chamando-o de um guardador desperto e vigilante. Muita coisa neste mundo é guardada. Poucas são guardadas por alguém acordado.

O Salmo 121 promete que nada de ruim vai acontecer?

Não, e Henry é cuidadoso nisso. A frase da promessa exclui o dano que é só dano, mas deixa a aflição firmemente no lugar. Em seguida ele nomeia as duas maneiras pelas quais Deus lida com o que sobra: ele impedirá o mal que temes, e santificará, removerá ou aliviará o mal que sentes. Algumas ameaças nunca chegam a pousar; as outras são alteradas na chegada. E o caso extremo é duro: até aquilo que mata não fará dano.

O Salmo 121 é para o povo de Deus em geral ou para mim?

Para os dois, e Henry não deixa o geral engolir o particular. O mesmo que é o protetor da igreja em geral está comprometido com a preservação de cada crente em particular, escreve ele — a mesma sabedoria, o mesmo poder, as mesmas promessas. Depois vem a imagem que resolve a questão: o pastor do rebanho é o pastor de cada ovelha, e cuidará para que nem uma, nem mesmo das pequeninas, se perca. Promessa não se dilui por ser repartida.

Por que o salmo fala do sol e da lua?

Porque Henry acha que a própria criação ficou em parte hostil. O sol e a lua são grandes bênçãos para a humanidade, e no entanto (tão triste mudança fez o pecado na criação) eles hoje ferem os corpos que iluminam — mas o favor dele se interporá, de modo que não venham a prejudicar o seu povo. O exemplo que ele desenvolve é o êxodo, em que Deus abrigou o seu povo por uma coluna de nuvem de dia, que os protegia do calor do sol. Proteção quase sempre tem a forma de algo colocado no meio.

O que quer dizer que Deus preserva a alma?

Henry trata essa como a cláusula mais funda do salmo. Todas as almas são dele; e a alma é o homem, escreve — de modo que preservar a tua alma não é preservar um departamento teu: é preservar você. E ele especifica de quê: Deus com um cuidado peculiar as preservará, para que não sejam contaminadas pelo pecado nem perturbadas pela aflição. Repare na ordem. A contaminação vem primeiro, e é o perigo do qual quase ninguém se lembra de pedir proteção.

O Salmo 121 cobre a vida inteira?

É exatamente o que Henry afirma. Ele lê o último versículo como um tempo de vida, e não como uma agenda, glosando a partida como o teu seguir adiante enquanto viveres e o retorno como o momento quando morreres. Depois desenha isso como um único dia de trabalho — saindo para o teu labor na manhã dos teus dias e voltando para o teu descanso quando a tarde da velhice te chamar para dentro. E então a frase que vale decorar: É uma proteção para a vida toda, que nunca sai de validade.

Como orar o Salmo 121 quando o medo está ganhando?

Use-o para o pior caso, que é para isso que Henry diz que ele serve: o título que ele põe sobre esses versículos é Consolar-nos em Deus quando as nossas dificuldades e perigos são maiores. E ele é realista quanto ao jeito como o medo funciona de fato — Deus os guardará de se assustarem, como nos assustamos quando escorregamos ou tropeçamos e estamos prestes a cair. E fecha com um companheiro, não com um escudo: O Espírito, que é o preservador e consolador deles, habitará com eles para sempre.